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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Degelo do Árctico ganha Jogo Olímpicos


Se alguém merecia ser o grande vencedor dos Jogos Olímpicos deste ano, seria sem dúvida alguma, o degelo do Árctico que (infelizmente!) bateu mais uma vez um recorde! ..e que recorde! o degelo foi 18% superior ao anterior recorde de 2007. Este ano, o gelo chegou assim ao valor mínimo de 3,41 milhões de quilómetros quadrados, quando à cinco anos o valor mínimo foi de 4,17 milhões de quilómetros quadrados, valor que já tinha sido 22% inferior ao recorde anterior. Ainda por cima, estima-se que a camada/espessura do gelo esteja cerca de 50% mais fina, e prevê-se que daqui a 4 anos o gelo no Árctico possa desaparecer durante os meses de Verão (Agosto e Setembro).

Só para se ter uma ideia, este ano e em relação ao 2007, a área de gelo a menos é equivalente a 1,5 vezes a área de Espanha.

Com o aumento do degelo aumenta também a quantidade de metano que é libertada para a atmosfera e diminui a área de reflexão dos raios solares, contribuindo para um aumento do aquecimento global, o que torna este ciclo vicioso e exponencial, sem fim à vista.

A catástrofe é de tamanha importância que já à alguns anos que uma das principais acções (se não a principal) da Greenpeace é justamente combater o aquecimento global e o degelo do Árctico (www.savetheartic.org). Um dos activistas nessa acção é o português Manuel Pinto, que afirmou ter tido formação para conseguirem navegar em condições adversas como existem no Árctico e que os principais frequentadores dessas formações eram trabalhadores de empresas petrolíferas.

Como seria de esperar, há grandes interesses em torno do degelo do Árctico, pois irá permitir que este passe a ser navegável, permitindo não só a pesca em lugares até agora a salvo, como irá permitir o avanço das perfurações de poços de petróleo no Ártico (neste momento a Shell já se anda a preparar). Com o aumento do tráfego marinho e das explorações petrolíferas, as probabilidades de uma catástrofe ambiental aumentam exponencialmente.

A nós é exigido fazer pelo menos o mínimo que conseguirmos, pelo que apelo à vossa acção da forma que vos for possível, seja a assinar petições, ou a contribuir com doações, ou simplesmente a divulgar este drama.

O tempo de agir é agora, enquanto temos Ártico, não depois de ele desaparecer.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Eco-Sanita


    A fundação Bill e Melinda Gates decidiram avançar com um concurso de ideias para a construção e design de uma casa-de banho mais ecológica, que despendesse as fossas sépticas, sem produção de poluentes e independente de uma fonte externa de água. As melhores ideias, capazes de serem utilizadas na vida real, seriam financiadas para passarem do papel para a prática.A adesão ao concurso acabou por ser maior do que o esperado, e a fundação decidiu avançar com financiamento para o desenvolvimento de oito das ideias propostas.
     A grande vencedora foi apresentada por estudantes do Prof. Michael Hoffmann da Universidade de Caltech, nos Estados Unidos. Trata-se de uma sanita que utiliza um painel solar para alimentar um reagente electroquímico. Este reagente desfaz os dejectos quimicamente, produzindo fertilizante e hidrogénio. Desta reacção resulta ainda água já devidamente limpa, que embora não sendo potável, poderá ser utilizada na descarga e a excedente utilizada para rega.
      Resta saber, se esta ideia vai passar do papel para a utilização na vida real. Nomeadamente nos países pobres, onde a água é pouca e valiosa e a produção de fertilizantes também é preciosa.

Saber mais aqui.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

E tu? vais de bicicleta para o trabalho?

Como o dia de 21 de Setembro, dia de ir de bicicleta para o trabalho é já amanhã, vou partilhar aqui uma inovação engraçada que no futuro poderá facilitar na escolha deste meio de transporte ecológico.
A ideia consiste num airbag para os ciclistas que dispara em caso de queda e abre-se formando um capacete, que cobre toda a cabeça, evitando assim o uso de capacete. A ideia, apelidade de "Hovding" surgiu na Suécia, por duas estudantes de Design Industrial, aquando da proposta de alteração da lei sobre o uso dos capacetes, em 2005. A proposta pretendia alargar o uso obrigatório do capacete aos adultos e não só às crianças até aos 15 anos, como era até ali. Ora esta proposta, gerou grande discórdia por os capacetes serem vistos como desconfortáveis e pouco práticos.
Assim, as estudantes suecas Anna Haupt e Terese Alstin, desenvolveram um colar que se integra facilmente nos acessórios de vestuários que usamos usualmente (parecido a um cachecol diria eu). A este colar foram adicionados inúmeros sensores para permitirem detectar quando se trata de uma queda e assim fazer accionar um gás que é libertado e expande o colar de forma a proteger toda a cabeça, tal como acontece nos típicos airbags.

Até chegarem a esta ideia tiveram que fazer imensos estudos relacionados com as questões de segurança, nomeadamente perceber como se desenvolvem as quedas de bicicleta, para posteriormente desenvolverem um algoritmo que permite aos sensores detectar que se tratava de uma queda (e não uma travagem brusca ou sair da bicicleta). Após todos os desenvolvimentos que permitiram chegar ao protótipo, passaram à fase de teste, onde ensaiaram o Hovding em testes reais, à semelhança dos testes realizados nos automóveis.

Um pormenor que realçam no site, é que os sensores não detectam objectos que possam cair em cima da cabeça, e portanto, se for de bicicleta e por exemplo lhe cair um vaso em cima, o airbag já só activa depois da pancada, quando for a cair da bicicleta.

Para quem não pode andar de bicicleta de qualquer forma e liga muito à postura e estilo, deixo um video que mostra que o Hovding pode vir a estar na moda.





Saber mais aqui.

Com ou sem o Hovding, EU AMANHÃ VOU DE BICICLETA PARA O TRABALHO! E TU?

Nota: Se tiverem curiosidade em ver a diferença de responsabilidades entre uma empresa Sueca e uma Chinesa, reparem só na preocupação com a reciclagem do Hovding, onde é explicado e apresentado tudo ao pormenor. Vejam aqui.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O meu cantinho aromático


Porque a inovação em Portugal não é só realizada pelas grandes corporações, como as eólicas do post anterior, hoje quero apresentar o projecto "My Little Garden". Este projecto nasceu em Leiria, por intermédio de Anthony Carter, e consiste na reutilização de garrafas de vinho para semear ervas aromáticas.
Basicamente a garrafa é cortada +/- a meio e inverte-se a parte de cima. Colocando água na parte de baixo e o substrato e as sementes na parte de cima, permite que esta seja "auto-regada" pela parte baixo.
Considero o objectivo deste projecto é fantástico, que segundo Anthony Carter pretende "motivar as pessoas a produzirem pelo menos parte do que consomem em termos de hortícolas e ervas frescas, independentemente do local onde vivem e do espaço que têm disponível" e a tudo isto ainda se soma a reutilização de materiais. É uma óptima prenda verdinha!
O mentor da ideia prevê a adopção do mesmo método para "chás, flores comestíveis e eventualmente até ornamentais".
Resta-me desejar muito boa sorte a este projecto!

Saber mais aqui.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Tecnologia verde?!?

Foi com alguma surpresa que vi recentemente a notícia que tinham construído o "Computador mais verde do Mundo".

Embora, como sabemos, com a ganância de vender sempre mais, acontece com regularidade publicitarem produtos ditos verdes, em que os benefícios que trazem para o meio ambiente são poucos ou nenhuns, gostei deste produto por ir mais além dos computadores existentes que já eram considerados ecológicos, apenas por terem um modo de poupar energia e pouco mais, mas que continuavam a ser fabricados sabe lá em que condições (des)humanas. E num Mundo em que os supostos "mais desenvolvidos" não dispensam do seu computador (normalmente sempre mais que um por pessoa), qualquer passo que se dê no caminho de tornar os computadores bem mais ecológicos, serão passos que se repercutirão a nível global, grandes efeitos.

Dando agora a conhecer o dito computador, o nome dele é IamECO ("Sou Eco") e foi desenvolvido na Irlanda, sendo também fabricado e montado na íntegra nesse mesmo país (pelo menos por enquanto). O computador é revestido por madeira, com 98% de materiais recicláveis, com eficiências energéticas entre 30 a 40% mais que os actuais computadores, fácil de reparar por utilizar peças standard e com período de vida útil previsto de 10 anos. Sem dúvida que alguns atributos me parecem bastante interessantes se fossem repercutidos por outros fabricantes.


Ver fonte da notícia aqui.
Pode ver mais www.iameco.com.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Emissões de gases com efeito de estufa caíram 7,1 por cento na UE em 2009

Para balançar a má noticia do post anterior, hoje a Ecosfera publicou a seguinte noticia: 
 As emissões de gases com efeito de estufa (GEE) baixaram 7,1 por cento nos 27 Estados membros da União Europeia em 2009 em relação ao ano anterior, revelou hoje a Agência Europeia de Ambiente.
De 2008 a 2009, a União Europeia (UE) a 27 emitiu menos 354 milhões de toneladas, segundo o relatório da agência com os dados mais recentes sobre o inventário de emissões poluentes.
Durante esse período, Portugal registou uma descida de 4,3 por cento, traduzida em menos 3,4 milhões de toneladas. Na UE a 15, Itália e Espanha foram os países que registaram uma redução maior nas emissões de GEE, 9,3 e 9,2 por cento, respectivamente. Por seu lado, na UE a 27, essa posição vai para a Estónia, com uma diminuição de 16,1 por cento.
As emissões de GEE dos sectores da aviação e navegação caíram 8,6 por cento entre 2008 e 2009. Estes dois sectores representam, actualmente, 6,3 por cento das emissões totais da UE a 27.

Recessão e renováveis

A agência europeia explica estes dados com a “recessão económica e o aumento da energia renovável no consumo final de energia”.
A recessão, que afectou todos os sectores económicos da UE, “levou a uma diminuição do consumo de energia”, segundo o relatório. “O consumo de combustíveis fósseis caiu, em comparação a 2008, principalmente o carvão”.
“Apesar de muito da redução dos gases com efeito de estufa se dever à recessão, estamos a começar a ver resultados das políticas da UE e dos Estados membros no sector das renováveis”, comentou Jacqueline McGlade, directora-executiva da Agência Europeia de Ambiente. O consumo de renováveis aumentou 5,8 por cento na UE a 27.Alargando o período de análise para os últimos 20 anos, a agência constata uma redução das emissões totais de GEE na UE a 27 na ordem dos 17,4 por cento.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Emissões mundiais de CO2 atingiram recorde histórico em 2010.

Ao que parece todo o esforço que uma parte da sociedade anda a fazer para parar de destruir o que não é nosso - mas sim do que fazemos parte -, não está a resultar. Com este artigo, retirado da Escosfera, Público, temos noção que as coisas pelas quais estamos a lutar, estao a ficar em maus lençois. E aqui incluimo-nos nós - a nossa vida neste planeta tende a estar em muitos máus lençois.  Porém apesar de todas estas más noticiais, não vamos desistir! Desistir não pode ser sequer uma opção. Continuamente a lutar. Afinal, é o planeta onde vivemos. De qualquer forma, mais vale darmos uma vista pela realidade dos dias de hoje e mostrá-la ao maior número de pessoas possiveis - pode ser que se apercebam da situação.

"As emissões de dióxido de carbono (CO2) ligadas ao consumo de energia em 2010 foram as mais elevadas de sempre. A Agência Internacional de Energia avisa que limitar o aumento da temperatura aos 2ºC, considerado um limite de segurança, poderá estar fora de alcance.
Depois de uma diminuição durante o ano de 2009, causada pela crise financeira global, “as emissões terão aumentado para um recorde de 30,6 Gigatoneladas (Gt), uma subida de cinco por cento em relação a 2008, o ano recorde anterior, com níveis de 29,3 Gt”, informa a Agência Internacional de Energia (AIE) em comunicado.
Além disso, 80 por cento das emissões do sector da electricidade previstas para 2020 já estão garantidas, uma vez que serão da responsabilidade de fábricas já em funcionamento ou em construção.
“Este aumento significativo das emissões de CO2 e as emissões futuras já garantidas representam um sério revés para as nossas esperanças de limitar o aumento global da temperatura a não mais de 2ºC”, comentou Fatih Birol, economista principal da AIE.
No ano passado, os líderes mundiais aceitaram a meta de limitar o aumento das temperaturas em 2ºC. Para que este objectivo seja alcançado, a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera, a longo prazo, deve ser limitada ao equivalente a 450 partes por milhão (ppm) de CO2; apenas um aumento de cinco por cento em relação às estimadas 430 ppm registadas em 2000.
De acordo com as estimativas da agência, para chegar à meta dos 2ºC, as emissões devem subir na próxima década menos do que subiram entre 2009 e 2010.
"Estou muito preocupado", admitiu Birol ao jornal britânico "The Guardian". "Está a tornar-se extremamente difícil continuar abaixo dos 2ºC. É isso que os números dizem".
De acordo com a agência, em 2010 o carvão foi responsável 44 por cento das emissões de CO2, o petróleo por 36 por cento e o gás natural por 20 por cento.
“As nossas estimativas mais recentes são um aviso, um sinal de alarme”, disse Birol. “O mundo já chegou incrivelmente perto do nível de emissões que só deveria ser alcançado em 2020, se quisermos cumprir a meta dos 2ºC”, acrescentou o especialista.
“Tendo em conta que temos cada vez menos espaço de manobra até 2020, e a menos que sejam tomadas decisões ambiciosas muito brevemente, será extremamente difícil conseguir os 2ºC.”
John Sauven, director-executivo da Greenpeace no Reino Unido, disse ao "The Guardian" que "esta notícia deveria chocar o mundo. Mas mesmo agora, os políticos das grandes potências estão a tentar encontrar formas arriscadas para estrair as últimas reservas mundiais de combustíveis fósseis, mesmo no Árctico. Não se apaga um incêndio com gasolina. Agora, cabe-nos a nós pará-los"."

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Tendência Positiva


Para aqueles que ainda não acreditam que a acção individual pode causar grandes mudanças e que a nossa boa acção pode motivar boas acções por parte dos que nos rodeiam, partilho aqui mais uma notícia.
Muito resumidamente, a notícia refere que cada vez mais as grandes empresas estão a focar os seus objectivos e valores tendo por base a sustentabilidade, e pode ser lida na íntegra aqui. No entanto, decidi colocar aqui alguns parágrafos que achei mais interessantes.


"Bruno Berthon viajou por dezenas de países e entrevistou, cara a cara, dezenas de CEO para lhes perguntar o que pensam da sustentabilidade. “Nas entrevistas todos começaram por dizer que a sustentabilidade é muito importante”, contou o especialista francês. É claro que nem todas as empresas estão a fazer aquilo que dizem querer fazer. Mas Bruno Berthon disse, em entrevista ao PÚBLICO, que está optimista. “Ainda estamos na turbulenta fase da ‘adolescência’, estamos só no começo. Mas a verdade é que as empresas decidiram não esperar pelas orientações dos governos sobre como fazer as coisas. A falta de vontade política tem sido uma decepção. As empresas estão a reagir de forma pragmática e pró-activa, definindo os seus próprios padrões”, contou. “Hoje, os CEO estão a ligar a sustentabilidade ao valor da sua empresa, inovam, têm programas energéticos, dão formação aos seus funcionários e começam a avaliar a realidade do seu compromisso.” "

..e esta é a realidade!! As empresas estão a mudar!! Se ainda são poucas empresas, se algumas apenas estão a mudar por causa do dinheiro e não mudam de valores e se outras dizem que mudam, mas é tudo fachada, eu concordo!! Mas a verdade é que também há algumas que mudaram mesmo, e é nessas que temos de apostar!! Alguns exemplos de empresas que apostam na sustentabilidade são apresentados na noticia.


..e isto é o fulcral da notícia. As empresas mudam porque os consumidores mudam! ..e é assim que devemos pensar, para que não aconteça o contrário, para não nos deixarmos controlar pelo interesse do lucro fácil das empresas, para que o mais barato hoje, amanhã não nos saia muito mais caro (a nós ou aos nossos descendentes).

Esta notícia deixou-me feliz porque acaba por recompensar todos aqueles que se esforçam para mudar o que está mal e procuram o caminho da sustentabilidade, e todos os bons resultados alcançados (seja com  petições, protocolos de Quioto, organizações não governamentais, acções de voluntariado, etc..) devem ser divulgados, não só para recompensar e motivar aqueles que pensam na sustentabilidade do planeta antes de fazerem uma qualquer acção, mas também para começar a mostrar aos mais pessimistas que afinal a acção de cada um de nós conta (e muito), ou será ainda necessário voltar a falar no projecto Limpar Portugal?


Foto retirada de: aqui.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tecnologia verde


Nos dias de hoje, quer queiramos, quer não, a tecnologia está presente em praticamente todo o lado. Apesar de muitas vezes ser desnecessária e até prejudicial, a verdade é que noutros casos ela é essencial e permite o desenvolvimento da sociedade humana, quer seja ao permitir deslocarmo-nos mais depressa, quer seja a fazer cirurgias quase impossíveis, produção de energia eléctrica através de fontes de energia renovável, .., etc, etc.
Dado este papel cada vez maior da tecnologia na nossa sociedade, e uma vez necessária, cabe-nos a nós optar pela "tecnologia verde", a tecnologia que por umas razões ou por outras é menos prejudicial à saúde do nosso planeta. É com o intuito de facilitar a escolha dos produtos tecnológicos no acto de comprar que a Greenpeace criou um guia com os produtos electrónicos mais ecológicos (Greener Electronics Guide) que pode ser consultado aqui.

Este guia foi agora actualizado após a terceira edição da competição Greener Electronics Survey em que 18 fabricantes de computadores, portáteis, telemóveis, televisores, etc.. divulgaram os seus produtos mais ecológicos. Concluiu-se que apesar de o uso de materiais não recicláveis ainda ser muito alto, houve uma redução de produtos tóxicos na produção dos produtos e um aumento da eficiência energética. Na minha opinião, acho que a utilidade destes rankings é mesmo esta, o pressing para que as marcas fabriquem os seus produtos cada vez mais "verdes". Para que o pressing seja realmente eficiente, é necessário que as pessoas conheçam o ranking e na hora de comprar estes produtos não liguem apenas ao custo inicial dos produtos, mas também a todas as externalidades escondidas, algumas tidas em conta  na avaliação dos produtos para a elaboração deste ranking, seja (como já foi referido) a utilização ou não de produtos tóxicos, a quantidade de materiais recicláveis, até às condições da mão-de-obra, poluição gerada com o transporte, etc..



Deixo-vos portanto o endereço da página criada pela Greenpeace para a divulgação deste ranking, onde podem consultar o ranking das marcas ao longo dos anos, fazer o download do guia que contém informação mais detalhada acerca das práticas ambientais de casa marca, ver notícias relacionadas, etc. e aproveito para também deixar uma notícia que serve de exemplo onde pode ser empregue muita "tecnologia verde", na contrução de edíficios sustentáveis (clique aqui).

Informação recolhida de aqui, aqui e aqui.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Pelas Árvores das Nossas Cidades

Apresentovos o grupo anti-arboricida


Grupo Anti-Arboricida - O grupo Anti-Arboricida foi criado por voluntários do Núcleo Regional do Porto da Quercus, em sequência dos crescentes abates de árvores a que se tem assistido, em zonas urbanas. Tendo como principal objectivo agilizar a reacção do Núcleo do Porto aos eventuais abates de árvores, o Grupo Anti-Arboricida pretende também sensibilizar a população e as autoridades do Distrito do Porto para esta temática. Para que este objectivo seja alcançado foram criados vários sub-grupos de trabalho em diferentes vertentes:

Legislação e boas práticas - Este sub-grupo está orientado para a análise à legislação vigente e para a elaboração de propostas de boas práticas na gestão, preservação e abate de árvores em centros urbanos. Pretende também criar as condições necessárias para dar resposta às várias denúncias de abates de árvores na área a Metropolitana do Porto.

Sensibilização - Sub-grupo dedicado à promoção de uma maior consciencialização da importância da árvores nas cidades por parte da população e autoridades locais. Para isto, pretende desenvolver projectos/actividades de sensibilização e material didáctico direccionado para as escolas e população em geral.

Comunicação / Website - Recentemente criado, o site Anti-Arborícida permitirá: estabelecer uma maior interacção e sinergias entre os interessados no tema, divulgar notícias relacionadas com este tema e promover o trabalho desenvolvido pelo grupo.

ver o site aqui.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Chuva de pássaros mortos no Arkansas.

Peixes de uma única espécie também apareceram sem vida.


No primeiro dia do ano, mais de cem mil peixes apareceram mortos no Rio Arkansas, perto de Ozark, depois de uma chuva de pássaros mortos ter afectado a cidade de Beebe, também naquele estado norte-americano. Alguns peixes já foram recolhidos para serem analisados.
Foi aberta uma investigação para apurar a “chuva de aves” – tordos-sargentos e pássaros-pretos-da-asa-vermelha. Recorde-se que um tornado atingiu na passada sexta-feira o noroeste do estado do Arkansas, nos EUA, provocando pelo menos três mortos e vários feridos. O tornado derrubou vários postes eléctricos, deixando sem energia milhares de casas e estabelecimentos comerciais e está a ser investigada a relação entre este acontecimento e a morte dos pássaros.
De acordo com a comissão de caça e pesca do Arkansas, a chuva de pássaros terá começado na noite de fim de ano, com os serviços municipais a contabilizarem mais de um milhar de aves nas ruas de Beebe. O jornal «Arkansas Times» avança, como alternativa, que os pássaros poderão ter sido atingidos por granizo a altitude elevada. Entre outras teorias, surge também a possibilidade de que o fogo-de-artifício da passagem do ano tenha surpreendido as aves enquanto voavam.
No entanto, isso não explica o que aconteceu com os peixes, que curiosamente apenas foram de uma só espécie, o que sugere que não se terá tratado de qualquer intoxicação devido a descargas poluentes.
As autoridades adiantam ainda que os dois fenómenos, que aconteceram a uma distância de 200 quilómetros um do outro, não estão relacionados. Em 2010, as tempestades e tornados causaram 39 vítimas mortais nos Estados Unidos, cinco das quais no estado de Arkansas.
retirado daqui.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mar Mediterrâneo tem 250 mil milhões de partículas de plástico.

Amostras foram recolhidas nas costas francesa, italiana e espanhola.


Um grupo de biólogos franceses e belgas apresentou um estudo onde se revela que existem 250 mil milhões de fragmentos de plástico (com um peso médio de 1,8 miligramas) no Mar Mediterrâneo, um total superior a 500 toneladas. Os investigadores consideram que se trata de uma ameaça grave para a biodiversidade.
As recolhas foram feitas por voluntários do projecto Expedição MED (Mediterranean in Danger), que coligiram amostras de água em Julho passado nas costas de França, norte de Itália e Espanha, a dez e 15 centímetros de profundidade. Durante 2011, serão recolhidas amostras em Gibraltar, Marrocos, Argélia, Tunísia, Sardenha e sul de Itália para se complementar o estudo.
Nos mares e nos oceanos, as micropartículas de plástico misturam-se com o plâncton e são comidas por peixes pequenos, que por sua vez servem de alimento a predadores de maior tamanho. Todo o ecossistema fica, assim, contaminado.
Calcula-se que todos os anos sejam vertidos para o Mar Mediterrâneo 400 mil toneladas de hidrocarbonetos. A única solução, acreditam os cientistas, é modificar as normas sobre biodegradabilidade dos artigos de consumo em toda a Europa.


retirado daqui.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ideias luminosas ~

Hoje encontrei uma notícia que é um belo exemplo daquilo que eu considero que falta a muitas pessoas, iniciativa perante as adversidades.
Este arquitecto chinês de 24 anos, devido às dificuldades em arranjar uma casa para viver em Pequim, decidiu construir ele próprio a sua casa. Em vez de se sujeitar a créditos, queixar-se e reclamar a falta de subsídios ou simplesmente desistir, ele teve a coragem de procurar um solução e a verdade é que com bambu, madeira e erva, ele conseguiu desenrascar-se e construiu a sua própria casa e ainda aproveita a energia proveniente do sol, com um custo aproximado de 750€. De certeza que ainda tirou proveito de pôr em prática alguns conhecimentos adquiridos ao longo da licenciatura de arquitectura.
É preciso transmitir a ideia que os problemas são uma coisa boa e que se a nossa postura não for a de ficarmos de braços cruzados e a reclamar, são estes que nos conduzem à evolução. Assim como não é justo queixar-mo-nos que muitos problemas não são resolvidos, quando perante pequenos problemas que nos surgem no dia-a-dia, nós decidimos ficar de braços cruzados e não fazer nada.
Como exemplo, esta ideia pode-se estender ao problema da insustentabilidade do planeta ou da fome. Já muita gente está consciente destes problemas e até é capaz de reclamar o facto de não ter havido progressos evidentes em Copenhaga ou em Cancún ou de ainda não ter sido erradicada a fome. No entanto, quando confrontados com pequenos problemas como a separação do lixo, redução drástica do consumo de coisas fúteis, ajudar famílias com necessidades, etc., as pessoas preferem continuar a sua vidinha do dia-a-dia e ignorar estes problemas, como se não fossem também responsáveis por eles.
É altura de mobilizar as pessoas para não ficarem de braços de cruzados e tomarem iniciativas que nos ajudem a resolver os problemas. Só com a ajuda de todos e com a resolução dos problemas menores e locais é que vamos chegar à solução dos problemas maiores e globais.
É preciso combater a ideia "oh, até podia mudar a minha postura, mas só eu não vou fazer mudar as coisas". Este arquitecto chinês decidiu mudar de postura, tomar a iniciativa de resolver o seu problema e agora será exemplo para outras pessoas.

Fonte: Jornal Sol (noticia aqui)

sábado, 10 de julho de 2010

Torneira economizaodra (inovação Portuguesa)

Encontrei hoje mais uma eco-new sobre um Investigador da Universidade de Aveiro, Vítor Costa, que inventou um método de reutilizar a água que é desperdiçada enquanto as pessoas esperam para que chegue a água quente.

“ "Em média, são três litros de água potável que correm directamente para o esgoto, por cada utilização”, estima Vítor Costa, que desde 2007 tem vindo a trabalhar neste projecto que permite que a torneira só forneça água quando já está quente, de acordo com a temperatura desejada.
“A água fria, que se encontra na tubagem, entre a caldeira/esquentador e a torneira, é guardada num reservatório e entra novamente na rede, o que pode representar uma economia de centenas de litros de água no final do mês
”, adiantou o docente da UA.
O sistema pode também ser usado em instalações antigas sem a necessidade de fazer grandes obras de construção.
“Pode usar-se com uma torneira usual, mas é preciso acrescentar um componente hidráulico e um reservatório que vai acumular a água”, explicou.
Também em relação ao seu custo, o docente da UA refere que será mais caro que o sistema actual (como seria de esperar), mas que compensará com a poupança de água:
"De acordo com o investigador, a perspectiva de comercialização e conquista de mercado por um produto deste género é “muito grande” e, embora o sistema seja “mais caro” do que uma torneira convencional, a diferença de preços irá compensar a médio/longo prazo, em termos da poupança da água.
O investigador sublinha ainda que a escolha deste produto pode ser importante para obter uma boa classificação energética dos edifícios, acrescentando que o sistema não usa qualquer fonte adicional de energia."
De acordo com dados da Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP), o desperdício doméstico de água em Portugal atinge anualmente três mil milhões de metros cúbicos, o equivalente a 750 milhões de euros. Estes valores poderão agora ser reduzidos com a implementação deste novo sistema, cujo início de comercialização se prevê ainda para este ano.
Actualmente, sem dúvida que essa água desperdiçada já podia ser reutilizada sem ser necessária a compra deste sistema, bastava deitar essa água para um reservatório (alguidares, baldes, ...) enquanto se esperava pela água quente. No entanto, o que se sabe é que a maioria das pessoas prefere não estar com esse tipo de "trabalhos" e assim com este inovador método, muito mais cómodo, haverá muitas mais pessoas a reutilizar essa água.

Ver a notícia completa aqui.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

"é preciso avaliar as externalidades"


Encontrei uma entrevista bastante interessante no site do Ecosfera, o site de Ambiente do Público. Aproveito e deixo aqui grande parte da entrevista a Pavan Sukhdev, economista indiano, porque acho que vale a pena ler.

"Pavan Sukhdev é o economista indiano que interrompeu a sua carreira de banqueiro no Deutsche Bank para liderar o projecto que liga os europeus, o G8 e as Nações Unidas: convencer as sociedades de que tanto a destruição como o usufruto da biodiversidade e dos ecossistemas têm um valor. A realidade vai dando razão ao trabalho da equipa de Sukhdev, que terminará antes da cimeira da biodiversidade, a realizar em Outubro, em Nagoya, no Japão.

Se tivesse Tony Hayward à sua frente, o que diria ao presidente da segunda maior companhia petrolífera do mundo sobre o que ter em conta em relação ao problema ambiental que causou no golfo do México? Há várias maneiras de olhar para o problema. A primeira é que a BP e a indústria devem investigar se o que aconteceu foi não ter havido um equipamento que travasse automaticamente a fuga. Se foi esse o caso, foi por causa da regulação local, de uma decisão da companhia ou de ambas? É preciso investigar o que aconteceu em termos de segurança. A outra é que toda a indústria petrolífera tem de entender que é preciso avaliar as externalidades [efeitos tradicionalmente considerados colaterais e que não são considerados no preço de mercado dos bens, neste caso, o petróleo]."

(vídeo demonstrativo de algumas das "externalidades" que é preciso ter em conta por causa do desastre ambiental causado pela BP no golfo do México!! Está em inglês, mas acho que as imagens falam por si!! também pode ser visto aqui.)


"De que forma é que o estudo que tem liderado pode contribuir para que as empresas ganhem mais consciência disso? O estudo está praticamente pronto, temo que seja um bocado tarde para isso. Este acontecimento vai fazer com que a opinião pública exija a divulgação das externalidades, e isso estender-se-á, a prazo, a outros sectores. As indústrias têm externalidades, que não são apenas emissões de dióxido de carbono (CO2), mas também de utilização de água e outras. Por exemplo, uma empresa mineira tem custos externos de desflorestação e uso do solo. São externalidades que deveriam ser calculadas e divulgadas nos relatórios anuais das companhias. Não chega pôr os dados nas declarações de responsabilidade social ou nos relatórios de sustentabilidade, porque os analistas e os investidores nem sempre lêem esses relatórios.


No relatório intercalar, menciona as lições tiradas com o desastre do Exxon Valdez, em 1989, nomeadamente princípios mais severos do poluidor-pagador. E agora?  O Exxon Valdez, no Alasca, foi um acontecimento mais limitado [derrame de um petroleiro]. Aqui é diferente. É importante que as companhias ganhem capacidade de avaliar a dimensão económica deste impacto. Vimos as notícias sobre as negociações entre a administração dos EUA e a BP para financiar um fundo. Isso é, no entanto, uma questão pós-desastre. O que é necessário fazer é perceber o verdadeiro custo deste tipo de fugas, ou seja, o custo das suas externalidades. No golfo do México, é necessário estudar os custos sobre a pesca, o turismo e até sobre os indivíduos que se vêem privados de, simplesmente, usufruir de um passeio pelo mar. As externalidades têm de ser estimadas, para que a sociedade tenha uma melhor noção do que é o custo real destes acontecimentos. Claro que já há um imenso custo para a humanidade, para as pessoas que morreram na plataforma, para as famílias. Mas além destes, há ainda os custos externos a estimar.


Os 20 mil milhões de dólares do fundo que a BP vai financiar gradualmente não lhe parece que cobrem esses custos?  É uma solução para a dor e para as perdas, mas não é uma solução sistémica. Esta ocorrerá quando as companhias reconhecerem e publicarem as suas externalidades e os riscos que se podem tornar externalidades.


Há para si uma ligação entre o grau de exigência de avaliação económica e de regulação?  Claro. A economia é a moeda da política. Não importa quão bem fundamentado possa ser o meu argumento do ponto de vista humano e de responsabilidade. A menos que consiga que tenha sentido económico, é provável que não seja ouvido. É preciso que os decisores políticos percebam que o "caso ambiental" não é apenas respeitar os recursos piscícolas ou defender os passeios de barco no golfo do México. O "caso ambiental" é entender que há um custo económico, do mesmo modo que há um custo humano e um custo ambiental.

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"Acredita que os casos que mostram que os benefícios são maiores que os custos estão a convencer os decisores políticos para adoptarem políticas sustentáveis? Ainda não. Porque os decisores ainda não agem tendo em conta os benefícios públicos. Como, por exemplo, os benefícios de ter água e ar limpos, de não ter inundações em França e na Alemanha e secas na Índia. Esses casos são vistos como catástrofes naturais, as pessoas não os ligam com a ecologia que deve ser protegida, apesar de existirem todas as razões para o fazer. Há locais, desde Nova Iorque a São Francisco e Bombaim, onde as florestas são usadas como reservatórios de água para abastecer as cidades. Por isso, deviam estar a pensar em investir em infra-estruturas ecológicas. No fim de contas, isto é um bem público.
Todos pagamos impostos, é dinheiro público que deveria ser usado para o bem de todos. Este pensamento ainda não existe em muitos governos. Alguns estão à frente, mas ainda assim a atenção está voltada para criar riqueza privada, na mão das empresas.
Temos de repensar a nossa política de impostos e começar a taxar as externalidades, como as emissões poluentes, e não apenas os lucros e receitas. O esgotamento de recursos deveria ser taxado, por exemplo.


Ao atribuirmos um valor económico à biodiversidade, não corremos o risco de conservar apenas o que nos pode dar lucro? Qual a ética nesta equação? Sim, há um risco de isso acontecer. É uma questão ética enorme, profundamente enraizada e discutida na filosofia do estudo cuja sigla inglesa é TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity). Ao mostrar que os ecossistemas têm valor, estaremos nós a criar o risco de, de alguma forma, reduzirmos a natureza e o seu objectivo apenas à sua utilidade, ao que é antropocêntrico? Existe esse risco. Mas ao mesmo tempo temos de reconhecer que a valorização é uma instituição social, não se trata de um grupo de economistas.
A sociedade valoriza aquilo que tem valor para ela. E, por vezes, essa valorização pode nem ter referência à economia ou a números. Se valorizarmos um monumento ou uma floresta sagrada para uma comunidade, não há nada que diga que precisamos de os proteger por algum motivo. E, assim, a protecção acontece por si mesma, sem precisar de razões. Mas em outras situações precisamos de demonstrar que tem impacto económico, e aí a política muda.
Recentemente, a Índia introduziu um sistema que paga aos pobres para replantar florestas. Eles compreendem que aqui há um valor e que vale a pena pagar-lhes para reconstruir esses ecossistemas. As pessoas são pagas por fazer aquilo que é correcto. E, finalmente, há situações em que temos de chegar a um valor, pagando pelos serviços dos ecossistemas. Há muitos exemplos de pagamentos locais pelos serviços dos ecossistemas, como a água limpa ou o ecoturismo. Na parte do relatório para o governo local, que publicaremos em Setembro, temos 78 exemplos espalhados por todo o mundo. Paga-se para que alguém aja ou mude comportamentos com o objectivo de conservar ou gerar valor económico através dos serviços dos ecossistemas.
Um exemplo que funciona é o comércio de emissões. Estamos a recompensar empresas pelo trabalho de reduzir as suas emissões. O risco é saltarmos logo para uma visão meramente economicista. Há razões éticas, religiosas e sociais para valorizar a natureza e há também razões económicas. Muitos concluem que só estamos a falar de mercados. Isso não é verdade. O trabalho do TEEB é tudo menos uma solução custo-benefício para o planeta. Quando dizem que pomos um preço na natureza, isso está errado.


Quais espera que sejam os efeitos reais deste estudo? Penso que o conceito dos pagamentos pelos serviços dos ecossistemas será mais bem aceite em todo o mundo. Quando as pessoas virem casos de sucesso em pequenas comunidades, começarão a adoptar este pensamento. Já recebi pedidos de ajuda de muitos países e teremos muito gosto em responder.


De países em desenvolvimento? Sim, de África, da América Latina, da Ásia. Um bom resultado é o TEEB ser bem aceite. Outro, será dar muita atenção ao sector das pescas. E que as comunidades locais e a indústria pesqueira percebam que isto é no seu interesse, se quiserem sobreviver a longo prazo.


Como se protegem espécies, como o rato-de-cabrera, que não são carismáticas e que dificultam a construção de auto-estradas? É um desafio. Como vamos proteger espécies que as pessoas não querem? Encontrar razões económicas para preservar espécies é uma tarefa muito difícil. É mais fácil encontrar essas razões para ecossistemas, porque dão mais à sociedade. O argumento da utilidade funciona melhor.
Às vezes podemos consegui-lo, mas com espécies carismáticas. Não um rato. Por isso, temos de pensar de maneira diferente: a que ecossistema pertence, o que está a região a fazer para proteger o ecossistema, se há habitats alternativos para o rato, perceber o seu papel no ecossistema e o que vai acontecer se desaparecer.


Contrariamente ao rato-de-cabrera, há espécies a que damos grande valor económico, provocando sérios problemas, nomeadamente nas pescas. As pescas são suportadas por dois conceitos: um é o acesso livre em mar alto. Qualquer um pode ir a qualquer lado e pescar sem controlo. O segundo é a política de subsídios: 27 mil milhões de dólares pagos anualmente. Isto é muito se pensarmos que o total de peixe capturado vale 85 ou 90 mil milhões de dólares, estamos a falar de quase um terço. No entanto, o valor do sector podia chegar aos 135 mil milhões de dólares, se as pescas fossem exploradas de forma sustentável. Assim, além de estarmos a perder 50 mil milhões de dólares, estamos a subsidiar 27 mil milhões de dólares. A soma dá 77 mil milhões de dólares. É uma estupidez tão grande que é incrível que o estejamos a fazer.


Qual a solução? Devido à sobreexploração, 30 por cento de todos os stocks colapsaram, ou seja, têm menos de dez por cento do stock inicial do que quando começaram a ser pescados. É possível que em 2020-2050 só tenhamos stocks em colapso.
É importante perceber que temos capacidade excedentária e a "boa economia" concentra-se em investir em recursos escassos. O que fazemos é subsidiar a construção de frotas com mais capacidade. Mas isso não é o recurso escasso; o recurso escasso é o peixe. Devíamos encontrar meios económicos para investir no peixe, por exemplo, criar áreas protegidas marinhas. Já há casos de sucesso.


Quais? Uma história engraçada é o caso da Somália. Devido à pirataria, os stocks de peixe recuperaram porque os barcos de pesca não podem lá ir, segundo os relatórios que me chegam. E, por isso, as comunidades locais estão a enriquecer. O problema da pirataria até pode estar resolvido.
Isto pode ser feito, mas sempre apoiando as comunidades locais que forem privadas da pesca durante os três ou quatro anos necessários para recuperar os stocks. Em vez de gastar subsídios para aumentar a capacidade pesqueira, devíamos gastá-los no apoio às comunidades e em sistemas de gestão locais. Concentramo-nos, por vezes, em espécies únicas, como a baleia-azul, mas o problema maior é sistémico. E se o solucionarmos, é mais fácil solucionar o problema de cada espécie."


A entrevista pode ser lida na integra aqui.
O vídeo da Greenpeace tb pode ser visto no canal do Youtube da Greenpeace USA.
Aproveito e deixo também o link da nova petição da Greenpeace "Tell Congress: No new drilling. Period.".

quinta-feira, 15 de abril de 2010

"Ecocídio"


Encontrei uma notícia na Naturlink que refere que uma advogada britânica, Polly Higgins, pretende que os crimes ambientais de grande escala sejam considerados crimes internacionais. Como tal, esta advogada lançou uma campanha para que estes crimes sejam julgados pelo Tribunal Criminal Internacional.

A este tipo de crimes a advogada atribui a termo "Ecocídio" cuja definição contempla "A destruição, danificação ou perda amplas de um ou vários ecossistemas num determinado território, quer seja por acção humana ou por outras causas, de tal forma que o aproveitamento pacífico dos recursos por parte dos habitantes desse território é significativamente prejudicado”.

Ainda segundo a notícia, "A aceitação do “ecocídio” por parte das Nações Unidas como crime contra a paz permitiria julgar não só os responsáveis por casos de destruição em massa de ecossistemas mas também os “cépticos das Alterações Climáticas” que distorcem os dados científicos e os factos para desencorajar os eleitores a agir para combater o Aquecimento Global e as Alterações Climáticas."

Esta medida "implicaria alterações profundas ao modelo de exploração de recursos actuais" e caso o "ecocídio" seja aceite pela Comissão Legislativa da ONU,  ainda será sujeito a votação pelos representantes dos 197 países-membros.

Deixo também um vídeo que contém alguns dados que nos ajudam a perceber a urgência desta medida. 


Mais informações na página This Is Ecocide. 
Ver a notícia completa: aqui.